Quando o pacifismo esquece Gandhi

Entrevista com Michelguglielmo Torri

por Francesca Lancini, em 30 de Março de 2022

Michelguglielmo Torri (copyright Paolo Tangari – www.imagegarden.it)

Com as mãos nuas contra os tanques. Os civis ucranianos tentam deter os soldados russos com uma reacção espontânea, corajosa e desesperada. Aconteceu várias vezes na guerra na Ucrânia. Amostras de não-violência, que, no entanto, a comunidade internacional, em todos os níveis, tem dificuldade em interceptar. O debate sobre o pacifismo, muitas vezes, encalhou em slogans e desembocou no caos. Parece que foram esquecidos os ensinamentos do pacifista mais importante da História contemporânea, Gandhi, que inspirou as lutas de personalidades como Martin Luther King, Nelson Mandela e Aung San Suu Kyi.

«A filosofia gandhiana da não-violência  não prevê a rendição, é uma filosofia de luta destinada a perdurar no tempo e a ter efeitos apenas a longo prazo», explica o historiador Michelguglielmo Torri, que tem dedicado a sua vida passada a estudar e a ensinar a Ásia moderna e contemporânea. Entre as suas publicações, «Storia dell’India» e os muitos volumes de «Asia Major», o think tank fundado, em 1989, por Giorgio Borsa e do qual o professor Torri é presidente. Com ele, repassamos os princípios do Mahatma, atravessando um mundo, da Ucrânia à Índia, da Rússia à China, onde as democracias estão recuando diante dos novos fascismos.

Desde que começou a guerra na Ucrânia, voltou-se a mencionar Gandhi, promotor do pacifismo no mundo contemporâneo. Mas isso foi feito de forma superficial ou distorcendo os seus princípios. O que é, realmente, a não-violência  do Mahatma?

Muitas vezes, confunde-se a  não-violência  gandhiana com a não-resistência, uma ideia passada principalmente por meio dos filmes de Hollywood. As pessoas não violentas são representadas como pessoas bastante estúpidas cuja única reacção ao mal é não fazer nada. Isso é, exactamente o contrário da filosofia gandhiana da não-violência, que não é uma filosofia de rendição, mas de luta. Segundo Gandhi, os métodos não violentos são mais eficazes, porque a violência é algo de mau em si mesmo: «De uma semente venenosa não pode nascer senão uma planta venenosa», disse o Mahatma. Devemos enfrentar o mal, não colaborar com ele e usar uma série de técnicas que colocam os «malvados» em dificuldade. Para o Mahatma, regime algum pode sustentar-se apenas com as baionetas, mas precisa da colaboração activa ou passiva de grande parte da população. Se esta colaboração falha, o regime está destinado a cair.

Como se expressou Gandhi sobre a necessidade de resistir?

Especialmente na última fase da sua vida, quando ele estava empenhado em impedir  os grandes massacres que acompanharam a divisão da Índia, Gandhi, embora reiterando que a não-violência era o melhor método para resistir ao mal,  afirmou que, se não se acredita na não-violência ou se pensa que ela não é aplicável, é necessário no entanto resistir, recorrendo até à violência.

É isso que os ucranianos estão fazendo…

Como antifascista, acredito nos valores da resistência. Em alguns períodos, a única resposta possível é recorrer à violência. Gandhi pensou que era possível combater o nazi-fascismo com a não-violência. Pessoalmente, porém, acredito que diante de regimes nefastos, como os nazi-fascistas, é necessário recorrer à violência, sem excluir a não-violência como instrumento acessório ou complementar.

De facto, houve uma resistência ‘partigiana’ armada e uma  outra complementar que, secretamente, levava ajuda aos perseguidos, fazia greve ou boicotava os regimes.

No livro «A banalidade do mal», Hannah Arendt lembra que, durante a ocupação nazista da península balcânica, diante das deportações, os líderes das comunidades judaicas reagiram de duas maneiras: alguns colaboraram, fornecendo todos os dados solicitados, enquanto outros os destruíram. Nas áreas onde os líderes colaboraram, os judeus foram todos exterminados, ao passo que naquelas em que essa forma de não colaboração foi usada – em última análise, um método de luta não violenta – pelo menos, uma parte das suas comunidades se salvou. Mesmo em situações extremas, as técnicas não violentas têm um peso. Dito isto, o nazi-fascismo foi derrotado com as armas.

Qual é o estado do pacifismo actual?

Eu acharia o pacifismo mais convincente se, ao lado do pedido de não enviar armas à Ucrânia, apresentasse propostas de luta com métodos não violentos. Seria mais coerente se os pacifistas pedissem para impedir esta invasão sangrenta, bloqueando completamente as importações de gás e de petróleo da Rússia. Solução que, no entanto, não espero, porque, com sanções mais severas, haveria contragolpes duríssimos sobre a nossa sociedade e na economia, como a recessão.

Como você avalia o slogan «Nem com Putin nem com a OTAN»?

Gandhi, provavelmente, o teria apoiado; após o que teria ido para a Ucrânia para resistir de forma não violenta. Certamente, ele teria ido para o campo e se teria exposto pessoalmente. Digo isto, por ter considerado que a expansão da OTAN (Organização do Tratado do Atlêntico Norte) para leste tenha sido profundamente errada. Forneceu uma causa ou um pretexto à reacção de Vladimir Putin. Mas, agora, estamos no meio do confronto e não se pode mais dizer «nem com uns nem com os outros». É inaceitável.

Há confusão sobre o que é certo?

Sim. Gaetano Salvemini, ilustre historiador antifascista, dizia que não podemos ficar neutros entre o que é certo e o que é errado. É preciso tomar posição.

Até o boicote cultural e económico, se bem calibrado, pode ser uma arma pacífica contra a opressão. Como Gandhi o usou?

Gandhi dizia que não era necessário obedecer às leis injustas e estava pronto a submeter-se, voluntariamente, à punição por tê-las «violado». Esta era a sua filosofia e técnica da desobediência civil. Ele acreditava que, no fim, quem faz o mal, diante do sofrimento espontâneo da vítima, terá uma «mudança de coração». Uma visão optimista da natureza humana que não sei até que ponto é realista. De qualquer modo, Gandhi tinha entendido que a dominação se baseia sempre sobre a aceitação das massas e/ou sobre a colaboração de certos grupos. Desobedecer às ordens serve para isolar o adversário. Com o movimento do Swadeshi (autossuficiência), Gandhi pediu para não se comprarem mais os produtos do regime colonialista britânico, mas para produzi-los localmente. Em particular, os tecidos. Se o princípio do Swadeshi fosse aplicado hoje, deveríamos, precisamente, interromper qualquer relação comercial com a Rússia.

As sanções contra Moscovo podem ser interpretadas como uma forma gandhiana de luta não violenta?

Creio que sim. Elas poderiam levar a tais custos para a Rússia que, num certo ponto, as classes dirigentes russas poderiam pensar ter errado. por razões tanto práticas como éticas, e decidir mudar os vértices de seu aparato. A convicção – difundida em alguns ambientes – de que mesmo que Putin caia nada mudará é uma profecia da impotência. Não há nada de permanente na História humana, que, pelo contrário, sempre é caracterizada pela mudança. Mesmo que não resolvesse todos os problemas, uma acção que levasse à derrota do plano de Putin na Ucrânia poderia resultar numa mudança de regime e numa situação menos desastrosa do que a actual.

Os protestos não violentos liderados por Gandhi duraram décadas e tiveram um preço: centenas de milhares de prisões, de vítimas, de confrontos. Os pacifistas lembram-se disso?

A não-violência não é um instrumento com resultados imediatos, mas uma luta prolongada no tempo. Gandhi começa a lutar pela independência do Império Britânico em 1919 e termina a sua luta em 1947, pouco antes de ser assassinado. Neste período, sucedem-se várias campanhas não violentas sem que nenhuma delas resulte em vitória imediata. De facto, estudando as campanhas não violentas, não apenas as gandhianas, verifica-se que elas podem durar, na sua fase activa (manifestações de rua, prisões, boicote dos tribunais, não pagamento de impostos, etc.), um máximo se dois anos. Nesse ponto, elas são reprimidas e recomeçam novamente, depois de algum tempo.

Com que finalidade?

O aspecto interessante é que, a  longo prazo, essa luta leva a uma revolução cultural. As massas ficam convencidas de que o regime em que vivem não é mais aceitável, enquanto que os líderes do sistema se sentem deslegitimados, perdendo a capacidade de se impor às massas. Mas, no que diz respeito à Ucrânia, não vejo agora ninguém na Europa disposto a iniciar uma luta não violenta, destinada a durar décadas.

Então o que precisaria ser feito?

Os ucranianos estão se defendendo porque foram atacados à traição. Devemos dar-lhes toda a ajuda possível, incluíndo a militar. Não sou um anti-putiniano de longa data. Eu vi como Putin chegou ao poder numa Rússia devastada e como ele recolocou o país em pé, mas, para mim, está claro que, com a invasão da Ucrânia, ele passou para outro nível. O que está acontecendo na Ucrânia lembra-me muitíssimo a guerra civil espanhola. Uma das razões pelas quais o ditador fascista Francisco Franco a ganhou, com o apoio maciço da Itália de Benito Mussolini e o menos relevante da Alemanha de Hitler, foi que as democracias não fizeram nada para ajudar os republicanos. Assim, no final da guerra civil espanhola, as democracias se encontraram lutando contra o nazi-fascismo. Se Franco tivesse sido derrotado e a Itália fascista tivesse saído com os ossos quebrados da aventura espanhola, talvez a história tivesse mudado para melhor.

Na Índia, que legado ficou das lutas não violentas de Gandhi?

Na Índia, infelizmente, Gandhi ficou só nas notas de rupias. O pensamento gandhiano já não importa nada. Algumas forças políticas referem-se a Gandhi apenas como pretexto. A Índia está passando por uma profunda involução do ponto de vista democrático. Ainda é apresentada como a maior democracia do Mundo, mas não o é mais. Na melhor das hipóteses, é uma «democratura».

Porquê?

Formalmente, ainda se realizam eleições livres, mas o regime é autoritário, substancialmente fascista. Persegue as minorias, muçulmanas e cristãs. Proscreve os críticos, deslegitimando-os como terroristas. O sistema judiciário é subordinado ao poder político do BJP (Partido Bahratiya Janata), o partido maioritário que manipulou os mecanismos de financiamento aos partidos para que todo o dinheiro acabe nos seus cofres. Gandhi não era propriamente um democrata, mas tinha uma ideia muito clara de que todos os indianos eram iguais, independentemente de filiações religiosas ou políticas. E abriu o caminho para o primeiro-ministro da Índia independente Jawaharlal Nehru, que foi um grande democrata e um grande progressista.

O actual primeiro-ministro Narendra Modi, chefe do BJP, mudou desde que era membro do movimento paramilitar de extrema direita hindu RSS?

Não. Modi formou-se no RSS (Rashtriya Swayamsevak Sangh1), que é uma organização com claras conotações de fascismo e fundamentalismo religioso hindu, e continua sendo representativo desse contexto. Ele me lembra  muito, até nos gestos e no físico, o próprio Mussolini. Além disso, ambos desfrutaram ou, no caso de Modi, ainda desfrutam de ampla popularidade apesar dos seus erros. Em 1935, até à sua aventura na Etiópia, Mussolini continuava  a ser admirado em toda a parte, até mesmo por personagens insuspeitos como Chaim Weizmann, líder do movimento sionista mundial.

Por que razão?

Tanto Modi como, no seu tempo, Mussolini souberam manipular o consenso, encantando as massas com o controlo da informação e com slogans facilmente perceptíveis. Além disso, ambos são personagens carismáticos porque incorporam características que os cidadãos dos seus países consideram típicas de um ser humano «perfeito».  Representam o demiurgo, o homem forte, que sabe moldar a realidade. Aquele que sempre toma a decisão certa e a implementa  de maneira rápida e impecável. Só quando se chega à catástrofe final é que a população percebe que tal personagem é apenas um ser indigno, um vigarista sem escrúpulos e, em geral, um vigarista sanguinário.

Vladimir Putin também encarna esse «homem forte»?

Certamente. Ultimamente, ele também me lembra, cada vez mais, Mussolini. Não é correcto compará-lo a Hitler. Afinal, Putin, embora seja um político autoritário e sem escrúpulos, nunca afirmou que existe uma raça superior e que as demais devem ser exterminadas ou escravizadas.

O governo de Modi que política está a implementar em relação à Rússia?

Um exercício de equilibrismo. Na política externa, especialmente do ponto de vista militar, a Índia tem dois fortes vínculos, de um lado com a Rússia e de outro com os Estados Unidos. As relações militares com Moscovo estão em declínio, mas Delhi continua a comprar de 60 a 80% das suas armas à Rússia. Desde 2005, no entanto, a ligação da Índia com os EUA tornou-se tão estreita que eles são agora o seu segundo maior fornecedor de material bélico, especificamente de armas de alta tecnologia.

Na crise ucraniana, a Índia está em dificuldades?

Sim. Nas resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas) ela recorre à abstenção. Desde o colapso da União Soviética, a arquitrave de toda a política externa da Índia baseia-se na aliança com Washington. No entanto, o vínculo com a Rússia, que remonta à década de 1950, resistiu e voltou a ser relevante com a chegada de Putin ao poder. Foi Putin quem, ao reerguer o país, tornou a amizade russa novamente importante para a Índia. Deve ser dito também que os Estados Unidos não estão a pressionar a Índia para que se alinhe  contra a Rússia. Isso porque, ao lado da questão ucraniana, há outra em aberto. A Índia está a armar-se até aos dentes, por meio dos suprimentos dos EUA, para se contrapor, cada vez mais, à China.

O apoio indiano é adiado?

Os líderes dos EUA decidiram que a China é o verdadeiro grande adversário da sua hegemonia no Mundo. A Índia servirá para eles conterem uma potência que está a crescer com uma rapidez inesperada. Apesar de uma desaceleração, a economia chinesa é tão forte que o regime de Xi Jinping não precisa de travar guerras contra os vizinhos. A China está convencida – com razão – de que basta esperar tornar-se a primeira potência económica mundial para alterar os equilíbrios planetários. Pequim não precisa invadir Taiwan ou de atacar a Índia, mas está ela também armando-se até aos dentes por razões defensivas. Ela teme que Washington desencadeie um conflito armado com qualquer pretexto. Por outro lado, os EUA não conseguiram elaborar uma estratégia de contenção. Construíram um arco militar em torno da China adoptando uma política míope, por ser baseada apenas em armamentos.

Então, como é que os Estados Unidos deveriam conter a China?

O presidente Barack Obama tinha uma solução, ou seja, uma política anti-chinesa de contenção militar e económica: a TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership2). Este projecto reunia os países do Pacífico e do Oceano Índico, excluindo a China. Não era perfeito, porque continha medidas liberticidas para os trabalhadores, mas indicava um caminho interessante. No geral, estabelecia uma grande aliança económica que reanimaria as economias dos países envolvidos, garantindo a supremacia económica dos Estados Unidos. A China seria convidada a entrar no TTIP posteriormente. Uma oferta que Pequim dificilmente poderia recusar, pois não aceitá-la significaria autoexcluir-se de uma parte gigantesca da economia mundial. Mas, para aderir, a China teria de respeitar uma série de regras económicas, fixadas pelos Estados Unidos e que teriam garantido a continuidade da sua hegemonia. Mas o pacto foi cancelado quando Donald Trump, logo depois de se tornar presidente, saiu do acordo, afundando-o efectivamente.

Um outro «homem forte»?

A guerra na Ucrânia eclode num período histórico em que as democracias estão a recuar em quase toda a parte. A tentativa de tomada do Capitólio, em Washington, é sintomática dessa fragilidade.

Em vez disso, que homem era Gandhi?

Gandhi e todas as grandes figuras do movimento nacionalista indiano, antes e depois dele, foram influenciados por pensadores tanto ocidentais como indianos. As trocas culturais já existiam no século XIX. Gandhi inspirou-se no americano Henry David Thoreau, no inglês John Ruskin e no russo Lev Tolstoy. Trata-se de pensadores que representavam uma corrente minoritária no pensamento da época, porque eram não violentos e contra a industrialização desenfreada, mas que eram parte integrante do pensamento ocidental. Gandhi foi formado através da tradição cultural de seu próprio país, sobretudo da sua região, o Gujarat, onde a religião não violenta do jainismo estava enraizada. E reelaborou-a através das intuições de pensadores estrangeiros, transformando uma série de ideias e de técnicas utilizadas nas suas relações interpessoais numa estratégia a ser aplicada no plano político.

Mohandas Karamchand Gandhi foi um advogado, nacionalista, anticolonialista e especialista em ética política indiana, que empregou resistência não violenta (https://www.treccani.it/magazine/atlante/geopolitica/Quando_pacifismo_dimentica_Gandhi.html)

O Rastriya Swayamsevak Sangh, abreviado como RSS (National Volunteer Association ou National Patriotic Association ), (em hindi राष्ट्रीय स्वयंसेवकसंघ) é uma organização paramilitar indiana e nacionalista hindu, formada por  voluntários, que é amplamente considerada como a organização que deu origem ao partido governante da Índia, o Partido Popular Indiano. O RSS é uma das principais organizações do grupo Sangh Parivar.
Fundado em 1925, a sua ideologia é baseada no princípio do serviço altruísta à nação indiana. É também a maior organização de missionários voluntários do mundo. O seu ímpeto inicial foi fornecer um treinamento do caráter através da disciplina hindu e unir a comunidade hindu para formar uma hindu Rashtra (nação hindu).
O cientista político Cas Mudde considera o RSS muito próximo do BJP e o descreve como “o grupo violento de direita mais poderoso do mundo”. Mudde lembra que o RSS “foi ilegalizado  sob o domínio britânico e foi banido até três vezes desde a independência devido ao seu envolvimento em episódios de violência política e terrorismo”. Depois de mencionar o seu envolvimento na demolição da Mesquita Babur (ou Babri Masjid) em 1992 (motivo por que foi ilegalizada por um ano), Mudde afirma que “desde que o BJP recuperou o poder em 2014, vários militantes hindutva, muitas vezes organizados em um ou outro da infinidade de grupos que se enquadram no RSS, têm sido participantes proeminentes em incidentes violentos contra grupos percebidos como inimigos nacionais: sobretudo, contra pessoas que comem carne bovina (a vaca é um animal sagrado no hinduísmo ) e contra a maior das minorias religiosas do país, a muçulmana”. 
https://es.wikipedia.org/wiki/Rastriya_Swayamsevak_Sangh
2 TTIP – Transatlantic Trade and Investment Partnership (Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento).

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