Dia Mundial da Paz 2022

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Foto: Vatican News
O primeiro dia de Janeiro de cada ano é considerado o Dia Mundial da Paz. Mas também, curiosamente, a 21 de Setembro de cada ano, se comemora o Dia Internacional da Paz. A pergunta óbvia que se impõe é: porquê duas datas para evocar o mesmo tema? Aliás, a paz, como dimensão intrínseca da vida humana é ou deveria ser lembrada e, mais do que isso, vivida todos os dias. Como tal, nunca é demais celebrá-la, evocá-la, trazê-la à memória e ao coração de cada ser humano.
Voltando ao Dia Mundial da Paz, ou Dia da Paz, trata-se de uma iniciativa do  Papa Paulo VI, anunciada em 1967 e celebrada no ano seguinte. Este líder espiritual considerou tratar-se de uma dimensão de carácter universal, expressando-se deste modo: «A proposta de dedicar à paz o primeiro dia do novo ano não tem a pretensão de ser qualificada como exclusivamente nossa, religiosa ou católica». E Paulo VI acrescentou que esta deveria atingir um «carácter sincero e forte de uma humanidade consciente e liberta dos seus tristes e fatais conflitos bélicos, que quer dar à história do mundo um devir mais feliz, ordenado e civil». Portanto, o Dia da Paz Mundial é um dia a ser celebrado pelos «verdadeiros amigos da Paz».
Significativa é também a sua celebração no primeiro dia do ano. O seu início nesta data remete para a ideia de um compromisso a ser respeitado todos os dias durante este período e renovado no início do ano seguinte, sem hiatos nem interrupções. É a paz de agora, de hoje, de ontem, de todos os dias. É o espírito de paz que, na raiz da labuta do dia-a-dia, ajuda o ser humano a construir um mundo mais harmonioso, mais igualitário e mais justo.
A este propósito, o Papa Paulo VI referia: «Dirigimo-nos a todos os homens de boa vontade, para os exortar a celebrar o Dia da Paz, em todo o mundo, no primeiro dia do ano civil, 1 de Janeiro de 1968. Desejaríamos que depois, em cada ano, esta celebração se viesse a repetir, como augúrio e promessa, no início do calendário que mede e traça o caminho da vida humana no tempo que seja a Paz, com o seu justo e benéfico equilíbrio, a dominar o processar-se da história no futuro.»
Obviamente, os papas que sucederam a Paulo VI, sobretudo Bento XVI e o Papa Francisco, não abandonaram a linha do seu antecessor; pelo contrário, continuaram a dedicar esta intenção à mesma data, a enfatizar o seu carácter universal, fazendo da paz o foco e a raiz dos seus discursos teológicos.
A partir de 1968, a cada ano é atribuído um tema específico que serve como lema norteador de acções mobilizadoras de paz. Para 2022, o Papa Francisco elegeu como tema «Educação, trabalho, diálogo entre gerações: instrumentos para a construção de uma paz duradoura».
É, justamente, com espírito ecuménico que devemos celebrar o Dia Mundial da Paz, independentemente do credo ou da religião que se professa, do território que se habita, da classe social a que se pertence, do nível educacional ou cultural que se possui, em suma, das diferenças inerentes a cada ser humano. A paz une não separa; a paz aproxima não afasta; a paz dialoga não briga; a paz é gratuita não onerosa; a paz pode ser levada para todo o lado, no coração de cada homem e de cada mulher, porque nada pesa, não ocupa espaço, não tem fronteiras, pairando sobre toda a humanidade como um dom que temos de descobrir em cada um de nós, de cuidar e de difundir, a cada momento da nossa vivência diária.
Rosa Morais Pereira

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