«In memoriam» de Teresa Granado

No final da tarde de 30 de Agosto de 2021, ela deixou Coimbra aos 92 anos, sem que umas boas dezenas de pessoas lhe tivessem dito «presente» na hora da partida sem retorno! Era ela Maria Teresa Serra Granado, conhecida por todos como Madre Teresa Margarida.

Mulher que tinha o condão desconcertante de tratar tudo com um sorriso-gargalhada, mesmo que do momento, do assunto ou do contexto se esperasse outra atitude! Viveu com forma intensa, audaz e atrevida os projectos que lhe eram confiados ou os que ela, com a sua imaginação efervescente, tentou e criou ao longo da vida! Para ela, não havia barreiras intransponíveis! Ultrapassava-os com uma leveza que a todos parecia loucura! Apenas como exemplo, cite-se a introdução, nos anos 60, de eminentes professores no Instituto de Serviço Social, do qual era então a directora!  Esta instituição de ensino superior, nesse tempo vinculada ao poder político local reinante, teve o privilégio de introduzir, pela mão desta mulher, mestres ousados que permitiram uma leitura da realidade social, completamente ao arrepio da que então era vigente. Essa abertura de horizontes teóricos deixava boquiabertas as «ingénuas cabeças» que os ouviam! Destacam-se alguns dos mais polémicos e arrebatados teóricos da altura: o saudoso filósofo e sociólogo Vítor de Matos, Boaventura de Sousa Santos, Vital Moreira, António Avelãs Nunes ou Jorge Leite.

Aliás, tudo o que era inovador a atraía. E Maria Teresa Granado lidava com a inovação com uma agilidade e facilidade surpreendentes!

Ao último projecto da sua vida, a Comunidade Juvenil de São Francisco de Assis, Maria Teresa Granado dedicou todo o seu ser, convertendo-se em MÃE das muitas crianças que, ali, acolheu e amou como se de uma verdadeira mãe se tratasse. Que a sua obra perdure e que o seu poder criativo seja um incentivo para todos os que a ela, doravante, se dedicam!

Que a turbulência que atravessou ao longo da sua vida terrena encontre, no mistério do Além, a tão ambicionada paz que qualquer ser humano almeja!

Rosa Morais Pereira

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