Assinalar a poesia e a felicidade lutando contra a discriminação racial

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As datas comemorativas, de nível internacional, povoam todos os dias o nosso bloco informativo, passando, na maior parte das vezes, a constituir banalidades a que não damos a mínima atenção. Constituem, no entanto, recordatórias ou chamadas de atenção para temas pertinentes com os quais habitualmente tropeçamos e que, de quando em quando, nos fazem reflectir. Pela sua actualidade, 20 de Março assinala o Dia Internacional da Felicidade, enquanto a data de 21 de Março é, simultaneamente, salientada como Dia Internacional Contra a Discriminação Racial e como Dia Mundial da Poesia. Curiosamente, o Dia Internacional da Felicidade – aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2012 e comemorado pela primeira vez no ano seguinte – foi proposto por um pequeno país budista asiático localizado nos Himalaias, o Butão, sugerindo que a definição estatística de produto interno bruto (PIB) fosse substituída pelo conceito de «Felicidade Nacional Bruta» ou Produto Interno da Felicidade. De facto, de que serve a um país ter uma alta taxa de produto interno bruto, se o povo que nele habita possui um baixo nível de felicidade? Daí o reconhecimento, unânime na ONU, de que a busca pela felicidade é um objectivo humano fundamental.

Já o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial (e Dia Nacional para a Eliminação da Discriminação Racial) remete para os níveis de sofrimento, de infelicidade e de violência de que são vítimas tantos seres humanos, simplesmente, pela sua pertença ao que se convencionou catalogar de determinada «raça». Esta efeméride recorda-nos o massacre de Sharpeville, em 21 de Março de 1960, na cidade sul-africana de Joanesburgo, quando 20 mil pessoas faziam um protesto contra a denominada Lei do Passe, que obrigava a população negra a ser portadora de um cartão que continha os locais onde era permitida a sua circulação. Apesar de se ter tratado de uma manifestação pacífica, a polícia do regime de «apartheid» (ou de segregação racial, então vigente na África do Sul) abriu fogo sobre a multidão desarmada, causando 69 mortos e 186 feridos.
Sinalizando esta data, a ONU – na pessoa de António Guterres, como seu secretário-geral – condena, veementemente, toda e qualquer forma de racismo «sem reservas, sem hesitações e sem limitações», exortando os jovens a serem parte activa nesta condenação, através do seu envolvimento para a erradicação da discriminação.

Por sua vez, numa mensagem publicada na página electrónica oficial da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa começa por «exaltar o lugar de Portugal como país de acolhimento aberto, universal e ecuménico» para assinalar esta data. «Num tempo desafiante, marcado pela covid-19 e pelo acentuar das desigualdades na sociedade portuguesa, importa, mais do que nunca, não abrirmos mão do diálogo e de uma convivência pacífica e amigável, unidos na convicção de que aquilo que nos une supera aquilo que nos separa», refere o Presidente da República.
E eis que temos também a comemoração do Dia Mundial da Poesia! Que ela constitua uma janela de esperança, promovendo a leitura, a escrita, a publicação e a difusão das mensagens poéticas, além de estimular as mensagens da igualdade, da fraternidade e da felicidade, pilares em que se alicerça a Paz!

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A voz inconfundível de Abbey Lincoln:

 

 

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