A liderança feminina

O Dia Internacional da Mulher é celebrado hoje, 8 de Março, como uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. Nesta data, recordamos a engenheira química e política portuguesa Maria de Lourdes Pintasilgo (1930-2004).

Sem se assumir como feminista, Maria de Lourdes Pintasilgo aos 12 anos era já, no Liceu Filipa de Vilhena, responsável pelo núcleo do Movimento Feminista Português. Nos anos 50, presidiu à Juventude Universitária Católica Feminina (1952-1956) e foi dirigente da Pax Romana – Movimento Internacional de Estudantes Católicos (1956-1958).

Na perspectiva da construção da identidade sociocultural das mulheres, enquanto grupo, Maria de Lourdes Pintasilgo, a única primeira-ministra portuguesa (de transição, entre 1979 e 1980), relevava: «É necessário que cada mulher realize a sua vocação de mulher assim como que todas as mulheres sejam uma presença e convite aos valores autenticamente femininos.»

É-lhe reconhecida uma destacada intervenção política. Foi presidente da Comissão Interministerial de Política Social para a Mulher (de 1970 a 1974), passou pelos cargos de secretária de Estado da Segurança Social do I Governo Provisório (em 1974) e de ministra dos Assuntos Sociais dos II e III governos provisórios (de 1974 a 1975), além do exercício, entre outras funções, como delegada permanente de Portugal na UNESCO (de 1975 a 1981), com assento no Conselho Executivo a partir de 1976.

Também em sua memória, recuperamos um dos seus textos:

A LIDERANÇA FEMININA

A que novos paradigmas podemos recorrer para que a globalização não seja um caminho de destruição global? Que forças novas, ainda não utilizadas, temos no mundo para que a governabilidade adquira um novo rosto?
A aposta que tem guiado toda a minha vida concentra-se na convicção de que as mulheres podem constituir uma força de radical transformação da irracionalidade institucionalizada em que vivemos.
A sua liderança está na sequência directa das enormes transformações que tiveram lugar no séc. XX. E sobretudo na afirmação inequívoca da sua identidade própria, gerada pela cultura milenar das mulheres (um povo que veio de longe) e sustentada pela reflexão filosófica sobre a sua irredutível e inalienável capacidade de conceber, gerar e produzir a vida. Esta capacidade é um dado filosófico – capacidade de dar à luz – que se aplica a todas as mulheres independentemente do seu estatuto na sociedade. Transformar essa capacidade, conferir-lhe visibilidade e estatuto próprio é o primeiro passo para uma liderança de mulheres que transborde para além dessa metade da humanidade.
Essa nova liderança será, pois, outra maneira de olhar a governabilidade e de se forjar colectivamente uma nova política.

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CALÇADA DE CARRICHE – poema de António Gedeão dito por Maria Letras:

 

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