A paz entre a liberdade e a manipulação

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No início da década de oitenta do século passado, conheci a poetisa Cristina Pombinho, professora de Filosofia e amiga para a vida, cuja poesia exalta a Vida e o Amor. Fomos apresentados numa manifestação pela Paz.
Em 1975, eu tinha regressado de Nampula, de uma guerra colonial que ceifou vidas e sonhos de tantos jovens e famílias. Por isso, nunca mais deixei de me interessar pelos esforços de alguns dos políticos mais relevantes do Mundo. No entanto, observo que nem sempre o Prémio Nobel distingue, com coerência, personalidades e instituições envolvidas numa verdadeira entrega pelos ideais da Paz.

Em Portugal, por exemplo, realço Maria do Céu Guerra, talentosa e galardoada actriz que dá a cara pela organização não-governamental Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM). E também me lembro de, quando visitei a Tunísia, ter ouvido falar da cantora libanesa Fairuz, cuja postura era bastante elogiada, além das canções heróicas e esperançosas que interpreta. Recentemente, numa breve estadia em Beirute, o presidente francês Emmanuel Macron visitou-a.

Dela me contaram ter afirmado que só sorrirá quando a Palestina for livre. A propósito, vi na televisão tunisina, já há algumas décadas, uma reportagem sobre os resistentes palestinianos. Então, encontrava-me perto do Deserto do Saara e ia pedindo que me traduzissem, para compreender essas imagens, as quais tornei a visualizar em Portugal, após regressar do Norte de África. Como era agora antagónico e diverso o sentido do que me traduziram na cidade de Tozeur, ao ver novamente essas imagens de uma manifestação de encapuzados! E as legendas da mesma reportagem desfilavam perante os meus olhos, mas surpreendendo-me. Depois de comer tanto couscous e tagine, ia satisfazendo a saudade de um cozido à portuguesa, enquanto me apercebia que a liberdade e a manipulação podem coexistir.

Luís Filipe Maçarico (Almada, 15.11.2020)

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